Influência do contexto histórico nos movimentos da França – parte I

Arte Rupestre encontrada em Lascauz, França

Arte Rupestre encontrada em Lascauz, França

As pinturas rupertres são as primeiras expressões de arte de que se tem conhecimento.

As mais antigas que se conhece são das cavernas de Lascoux, na França, e datam de cerca de 30 mil anos atrás. Há também instrumentos musicais desse período, como flautas feitas de ossos, e artesanato de belíssimas esculturas.

ARTE MEDIEVAL (400 a 1400)

Durante a Idade Média, entre os séculos V e XV, a Igreja Católica exerce forte controle sobre a produção científica e cultural. Essa ligação da cultura medieval com o catolicismo faz com que os temas religiosos predominem nas artes plásticas, literatura, música e teatro. Em todas as áreas, muitas obras são anônimas ou coletivas. Criada para exaltar Deus e os santos católicos, a arte medieval difere da representação idealizada da realidade, típica da Antiguidade Clássica. As obras têm aspecto ornamental, com formas estilizadas. Predominam temas bíblicos e a simetria é a base das composições. A arte mais desenvolvida é a arquitetura, com a construção de inúmeras igrejas. Entre os séculos VIII e X surgem novas atividades, como a iluminura (ilustração manual de livros), a tapeçaria, a ourivesaria e os esmaltes. Com as invasões bárbaras, a arte adquire certa descontração e colorido. No século XII, surge a arte gótica, principal marco do período medieval. Sua origem é incerta, mas é na França que assume suas características mais marcantes. Depois se espalha por toda a Europa, vigorando até o século XVI. O termo gótico surge no Renascimento, com conotação pejorativa: godo era sinônimo de bárbaro. Na pintura e na escultura, usadas principalmente na decoração de templos, as figuras são esguias e delicadas. O tamanho dos personagens depende de sua importância social ou religiosa.

Esculturas góticas francesas

Esculturas góticas francesas

BARROCO (1600 a 1800)

Inicia-se na Itália e propaga-se pela Espanha, Holanda, Bélgica e França.A palavra barroco, originalmente “pérola deformada”, exprime de forma pejorativa a idéia de irregularidade. Suas obras são rebuscadas, expressam exuberância e emoções extremas. Durante o período, além da Igreja e dos governantes, a burguesia em ascensão patrocina os artistas. A fase final do barroco é o rococó, um estilo que desenvolveu-se no sul da Alemanha e Áustria e principalmente na França, a partir de 1715, após a morte de Luís XIV. Também conhecido como “estilo regência”, reflete o comportamento da elite francesa de Paris e Versailles, empenhada em traduzir o fausto e a agradabilidade da vida. O nome vem do francês rocaille (concha), um dos elementos decorativos mais característicos desse estilo, não somente da arquitetura, mas também de toda manifestação ornamental e de adereço.

A temática é inspirada nos hábitos da corte e na mitologia greco-romana. As pinturas exibem contrastes de cores e jogos de luz e sombra. A cor é mais valorizada do que a linha. As composições tendem a ser menos centralizadas e a exibir figuras mais dinâmicas do que as renascentistas. Além dos temas bíblicos, históricos e mitológicos, são freqüentes as naturezas-mortas, as cenas cotidianas e os retratos da nobreza e da burguesia ascendente.

Na França, o rococó é também chamado estilo Luís XV e Luís XVI.

Os principais artistas são Antoine Watteau, François Boucher e Jean-Honoré Fragonard.

Baroque, Jean Antoine Watteau, 1710, França.

Baroque, Jean Antoine Watteau, 1710, França.

NEOCLASSICISMO (1750 A 1840)

Consistia na recuperação das formas e valores greco-romanos da Antiguidade Clássica desenvolvida na segunda metade do século XVIII. Surgiu na Itália, Alemanha e França e se espalhou por outros países europeus e pelos EUA, repercutindo também no Brasil. É a segunda vez na história em que os artistas buscam inspiração nos padrões estéticos gregos e romanos. Dos séculos XIV ao XVI, essa mesma tendência foi chamada de classicismo, que representou uma reação à religiosidade e à subjetividade da arte medieval. Já o neoclassicismo se opõe ao exagero emocional do barroco e a sua ligação com a Monarquia absolutista. Baseia-se na visão científica de mundo vigente em meados do século XVIII e nas idéias racionalistas do iluminismo e da Revolução Francesa. A arte neoclássica busca inspiração no espírito de equilíbrio e na simplicidade que são a base da criação na Antiguidade. Um exemplo de pintura neoclássica é O Juramento dos Horácios, do francês Jacques-Louis David (1748-1825).

O Juramento dos Horácios, de Jacques Louis David, em 1784.

O Juramento dos Horácios, de Jacques Louis David, em 1784.

Outro pintor de destaque é Dominique Ingres (1780-1867), de A Banhista.

Banhista de Valpinçon, de Jean Auguste Dominique Ingres, em 1808

Banhista de Valpinçon, de Jean Auguste Dominique Ingres, em 1808

ROMANTISMO (1800 a 1880)

Manifestou-se nas artes do final do século XVIII até o fim do século XIX. Nasce na Alemanha, na Inglaterra e na Itália, mas é na França que ganha força e de lá se espalha pela Europa e pelas Américas. Opõe-se ao racionalismo e ao rigor do neoclassicismo. Caracteriza-se por defender a liberdade de criação e privilegiar a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a natureza, os temas nacionais e o passado. A tendência é influenciada pela tese do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Também está impregnada de ideais de liberdade da Revolução Francesa (1789).Na França destaca-se Eugène Delacroix (1798-1863), com sua obra Dante e Virgílio.

Dante e Virgílio no Inferno (1822), Eugène Delacroix

Dante e Virgílio no Inferno (1822), Eugène Delacroix

NATURALISMO (1840 a 1910)

Tendência das artes plásticas, da literatura e do teatro surgida na França na segunda metade do século XIX. Manifesta-se também em outros países europeus, nos Estados Unidos e no Brasil. Baseia-se na filosofia de que só as leis da natureza são válidas para explicar o mundo e de que o homem está sujeito a um inevitável condicionamento biológico e social. As obras retratam a realidade de forma ainda mais objetiva e fiel do que no realismo. Por isso, o naturalismo é considerado uma radicalização desse movimento. Nas artes plásticas não tem o engajamento ideológico do realismo, mas na literatura e no teatro mantém a preocupação com os problemas sociais.

A pintura dedica-se a retratar fielmente paisagens urbanas e suburbanas, nas quais os personagens são pessoas comuns. O artista pinta o mundo como o vê, sem as idealizações e distorções feitas pelo realismo para expor posições ideológicas. As obras competem com a fotografia.

Em meados do século XIX, o grande interesse por paisagens naturais leva um grupo de artistas a se reunir em Barbizon, na França, para pintar ao ar livre, uma inovação na época. Mais tarde essa prática será adotada pelo impressionismo. Um dos principais artistas do grupo é Théodore Rousseau (1812-1867), autor de Uma Alameda na Floresta de L’Isle-Adam.

Outro nome importante é Jean-Baptiste-Camille Corot (1796-1875). O francês Édouard Manet (1832-1883) é um nome fundamental do período, fazendo a ponte do realismo e do naturalismo para um novo tipo de pintura que levará ao impressionismo. Ele retrata a realidade urbana sem muito da carga ideológica do realismo. Influencia os impressionistas, assim como é por eles influenciado.

”]Camille Corot, Dança das Ninfas [Mus. do Louvre - Paris]

IMPRESSIONISMO (1870 a 1880)

Surgiu na França, no fim do século, e é tido como o marco da arte moderna porque é o início do caminho rumo à abstração. Embora mantenha temas do realismo, não se propõe a fazer denúncia social. Retrata paisagens urbanas e suburbanas, como o naturalismo. A diferença está na abordagem estética: os impressionistas parecem apreender o instante em que a ação está acontecendo, criando novas maneiras de captar a luz e as cores. No impressionismo, continua forte a influência da fotografia. A primeira exposição pública impressionista é realizada em 1874, em Paris. Entre os expositores está Claude Monet, autor de Impressão: o Nascer do Sol (1872), tela que dá nome ao movimento. Outros expoentes são os franceses Édouard Manet (1832-1883), Auguste Renoir (1841-1919) , Alfred Sisley (1839-1899), Edgar Degas (1834-1917) e Camille Pissarro (1830-1903). Para inovar a forma de pintar a luminosidade e as cores, os artistas dão enorme importância à luz natural. Nos quadros são comuns cenas passadas à beira do rio Sena, em jardins, cafés, teatros e festas. O que está pintado é um instante de algo em permanente mutação. O escultor francês Auguste Rodin (1840-1917) foi um expoente em sua arte, e entre suas grandes obras estão O Pensador, O Beijo e Torso.

Impressão - Nascer do Sol, Monet.

Impressão - Nascer do Sol, Monet.

O Pensador, de Auguste Rodin.

O Pensador, de Auguste Rodin.

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~ por artesplasticasfranca em maio 6, 2009.

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